Não te dê à vaidade


A flor que não desabrocha
Nas noites mais cálidas da primavera,
Onde o sol brilha do outro lado da terra.
Não desabrocha a flor, coitada!
Oprimida pela sua intenção.

A bela,
Cheirosa composta de essências
Não se mostra à opulência
Da vida fecunda
Que existe aqui fora.

Vamos flor, desabrocha
Mostra seu esplendor
Porque dor não há aqui fora
Que não valha à pena viver.

De seus encantos
Se faz meu jardim,
Se faz nossos mundos
De fantasias, de idéias afins
Se faz... se não fosse sua intenção.

Não me cansa te ver,
Assim, do meu jeito apaixonado
Não sei bem te querer,
Mal não sei te Ter.

Não fosse intensa sua paixão
Não fosse assim tua intenção
Não sei o que faria...
Não seria de fato
Amargo o meu amor.

Larga! Te conjuro!
Larga esse fardo
Tresloucado da vaidade

Desabrocha minha flor
[desinibe esse ímpeto]
Destoa desses grilhões com coragem
Mostra-te firme na vontade
Desfaz-se desse orgulho
[te conspiras à realeza]
Que é legítima da vida
Do fruto do que é bem necessário.


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